Eu estive pensando nos últimos dias em como a minha história é diretamente responsável por quem sou hoje. Meus avós moram em uma cidade chamada Ipanguaçu, no interior do estado e especificamente na região conhecida como Vale do Açu. Assim mesmo com cedilha, apesar de vááárias vezes eu ter lido com ss. Enfim. Lá, durante toda a minha infância (e isso quer dizer até os 12 anos mais ou menos), eu passei as férias de julho e as de verão também. O que importa é que durante todo esse tempo eu era completamente vidrado no meu avô. Não entendia o porquê, se é que ele existe, mas eu não conseguia largar do pé do velho. Íamos sempre juntos à feira livre da cidade que acontece no mercado municipal (já até postei sobre isso aqui) e eu tinha um hábito meio maluco: sair correndo ao encontro dele sempre que o avistava se aproximando de casa. Bastava alguém dizer “Marcel, lá vem teu avô” que pronto. Ia o moleque dooido correndo no meio do jardim para ganhar o abraço mais confortante de todos os tempos, todos os dias. Algumas vezes eu estava dormindo e levava falta, sempre sendo lembrado pela cobrança "Cadê você que não foi me receber?". Era incrível.
O motivo desse post e de todas essas memórias é um só: eu percebi claramente que hoje, depois de alguns anos passados desde o último abraço, eu sou completamente formado por esse legado de amor que ele e algumas pessoas me deram. Eu não seria alguém que sorri pra um cobrador de ônibus e deseja bom dia pro vizinho se, um dia, não tivesse corrido atrás de alguém que realmente estava disposto a me abraçar. E mais que isso, eu percebo que boa parte dos males desse mundo está relacionada à ausência de generosidade, de boa vontade. Mulheres violentadas em porões, crianças caindo das janelas, intolerância de qualquer tipo. É difícil ser feliz quando tanta coisa acontece de ruim e a vida se manifesta de um jeito cruel. Ver um cachorro atropelado na rua, por exemplo, é um tipo de culpa que não dá pra comprar, porém não podemos nos ver livres dela. Há uma seqüência de acontecimentos ruins que fazem parte da vida, são característicos de qualquer cotidiano e assim mesmo funciona. O nosso dever, e aí entra a minha recente reflexão, é tentar extrair das nossas trajetórias algo de motivador e bonito. Claro que é possível. Não a felicidade plástica, romantizada e por isso efêmera, mas a alegria real, conformada, pacífica e paciente com o mundo.
Hoje, com 21 anos, eu não vejo um herói naquele senhor. Vejo um ser humano cheio de erros, feito de carne, osso, amor, decepção e vitória. Sem julgamentos, sem desapontamentos, ele tornou-se deliciosamente humano e mortal.
Depois, se ele puder saber de tudo isso, eu quero que o mais importante esteja registrado:
Vô, em qualquer lugar do mundo, eu sou uma pessoa melhor graças a um pedacinho do seu abraço. Graças a um pedacinho de você.
O motivo desse post e de todas essas memórias é um só: eu percebi claramente que hoje, depois de alguns anos passados desde o último abraço, eu sou completamente formado por esse legado de amor que ele e algumas pessoas me deram. Eu não seria alguém que sorri pra um cobrador de ônibus e deseja bom dia pro vizinho se, um dia, não tivesse corrido atrás de alguém que realmente estava disposto a me abraçar. E mais que isso, eu percebo que boa parte dos males desse mundo está relacionada à ausência de generosidade, de boa vontade. Mulheres violentadas em porões, crianças caindo das janelas, intolerância de qualquer tipo. É difícil ser feliz quando tanta coisa acontece de ruim e a vida se manifesta de um jeito cruel. Ver um cachorro atropelado na rua, por exemplo, é um tipo de culpa que não dá pra comprar, porém não podemos nos ver livres dela. Há uma seqüência de acontecimentos ruins que fazem parte da vida, são característicos de qualquer cotidiano e assim mesmo funciona. O nosso dever, e aí entra a minha recente reflexão, é tentar extrair das nossas trajetórias algo de motivador e bonito. Claro que é possível. Não a felicidade plástica, romantizada e por isso efêmera, mas a alegria real, conformada, pacífica e paciente com o mundo.
Hoje, com 21 anos, eu não vejo um herói naquele senhor. Vejo um ser humano cheio de erros, feito de carne, osso, amor, decepção e vitória. Sem julgamentos, sem desapontamentos, ele tornou-se deliciosamente humano e mortal.
Depois, se ele puder saber de tudo isso, eu quero que o mais importante esteja registrado:
Vô, em qualquer lugar do mundo, eu sou uma pessoa melhor graças a um pedacinho do seu abraço. Graças a um pedacinho de você.
Esse foi um dos textos mais lindos que já li.
ResponderExcluirComo eu te disse uma vez, a cada dia você me surpreende meu amigo.
Não posso negar que ao fim do texto estou com aquele nó na garganta.
Como você não conheço ninguem.
Abraços.
Amigo, estava lendo seu texto pra neidinha aqui na Ratts. Estamos com saudades de vc.
ResponderExcluirAbração. e se cuida.